Vamos combinar uma coisa antes de qualquer outra: se você chega em A Morte do Demônio: Em Chamas esperando roteiro impecável e lógica interna de tirar o chapéu, já começou errado. É Evil Dead.

É uma franquia sombria, mas que sempre viajou pra caceta. A gente tá falando de entidades sobrenaturais com poder físico sobre o nosso mundo, possessão que passa por meio de gorfada e outras maluquices que ninguém nunca pediu explicação com nota de rodapé.

Então, liga a tv sabendo o que vai encontrar: um banho de sangue. Porque essa sempre foi a marca registrada da série de terror desde os anos 80, e a cada filme novo, com mais recurso gráfico disponível, a coisa tende a ficar ainda mais visceral.

Aqui não é diferente: A Morte do Demônio: Em Chamas tem cena grotesca, tem sangue de sobra, tem aquele tipo de imagem que choca visualmente quem não é acostumado com esse tipo de produção. Não diz que não avisei.

Sem entregar spoiler pesado da trama de Evil Dead Burn (a informação sai nos primeiros minutos de filme, então relaxa): a protagonista perde o marido logo de cara, depois de um conflito entre os dois. Pra tentar lidar com o luto, ela vai passar uns dias na casa dos sogros, com direito a cunhado solidário e simpático, e sogros claramente incomodados com a presença dela ali.

É aquele clima de visita mal-vinda, um suco de climão o tempo inteiro, até os segredos de família virem à tona e se conectarem direto com os Deadites da franquia. Daí em diante é a receita de sempre: a "contaminação" se espalha pela galera quase como uma infecção, uma doença, contagiando um por um, e a partir daí é sobrevivência (ou não).

Onde A Morte do Demônio: Em Chamas acerta: elenco de apoio, especialmente o sogro. O cara é ótimo, foda mesmo.

Te deixa puto, te deixa incomodado, entrega o personagem com uma presença que carrega boa parte da tensão do filme sozinho.

o sogro da protagonista rouba a cena
o sogro da protagonista rouba a cena

Onde ele deixa a desejar: a protagonista.

Ela é pouco carismática, com expressões faciais exageradas em momentos que pedem sutileza, e sobretudo apática demais. Tem cena que dá vontade de sacudir essa fdp e gritar "acorda, porra, você tá a um passo de morrer!". nerd-bravo-2

Protagonista sentada no chão chorando
PARA DE CHORAR E CORRE, DESGRAAAAAAAAAAAAAAAAÇA! >:(

Dá pra relevar um pouco pelo luto que ela carrega, mas isso só começa a se resolver muito perto do final, e mesmo assim não chega perto do arco da Mia do Evil Dead de 2013. Aquela sim era cativante, evoluía ao longo do filme até o ápice com a motosserra na mão. Aqui, a jornada da protagonista simplesmente não decola do mesmo jeito. É uma boa atriz, o papel que não caiu bem pra ela.

No fim das contas, A Morte do Demônio: Em Chamas é um filme bom, acima da média dentro do gênero terror, só que fraquinho dentro da própria franquia.

Exige entrar de mente aberta, sem cobrar coerência de roteiro e sem esperar carisma automático de quem carrega a história nas costas.

Nota: 7,0.

Pra um filme de terror lançado em 2026, já é bastante coisa. nerd-aborrecido