Bora deixar uma coisa clara logo de cara: eu ainda estou nas primeiras horas de Blood of Dawnwalker, umas seis horas de jogo até agora, então isso aqui não é veredito final, é primeira impressão mesmo, sincera e sem enrolação. O jogo saiu literalmente essa semana (3 de setembro), feito pela Rebel Wolves, estúdio novo fundado por gente que trabalhou no The Witcher 3 (o diretor do jogo é o mesmo cara que dirigiu o Witcher 3, se isso já não é um bom indicativo de pedigree eu não sei o que é). RPG de ação em mundo aberto, dark fantasy, passado na Europa medieval do século XIV, e você joga como Coen: humano de dia, vampiro à noite.
Vamos pela questão técnica primeiro, porque sei que é isso que todo mundo quer saber antes de qualquer coisa. Meu setup é o mesmo que uso pra rodar Nolvus (RTX 3060 12GB, Ryzen 5 5600, 32GB RAM), e o desempenho até aqui está muito bom. Taxa de quadros entre 50 e 60 FPS na maior parte do tempo, raramente cai pra 30, e quando cai é uma queda mais suave, tipo pra 40-45, nunca um baque brusco.
Estou rodando na configuração Alta (ainda nem testei a Ultra), e já está me agradando bastante visualmente pra eu não sentir necessidade de sacrificar FPS por gráfico. E olha que estou numa área inicial com bastante vegetação, um vilarejo cercado de floresta, ou seja, elemento gráfico não falta na tela.
O sistema de tempo é o verdadeiro protagonista mecânico
Se tem uma coisa que já me convenceu de que Blood of Dawnwalker não é só "mais um RPG de vampiro genérico", é o sistema de passagem de tempo.
O dia é dividido em vários fragmentos, e isso não é estética, é mecânica pura: toda ação relevante do jogo (uma missão, uma conversa importante, o que for) mostra quanto tempo ela vai consumir em número de fragmentos, e ao completar, o relógio avança de verdade. Você não fica plantado num vilarejo pra sempre igual em RPG tradicional, o tempo é um recurso que se gasta.
E é aí que entra a diferença real entre dia e noite: de dia, suas habilidades de vampiro simplesmente não funcionam. Nada de sugar sangue, nada de garra, nada de teletransporte, só a espada mesmo. De noite, o jogo muda de figura: você pode escolher entre continuar na esgrima ou soltar os poderes de vampiro, que ficam fortes justamente na escuridão.
E sinceramente, lutar com garra é muito mais maneiro que espada, o combate fica bem mais agressivo e satisfatório quando você abraça o lado monstro.
A narrativa é cadenciada, não apressada
Os primeiros vinte minutos de jogo são um pouco confusos, você é jogado no meio da história sem muito contexto, mas isso é proposital: conforme o tempo de jogo passa, as peças do tabuleiro vão se encaixando e você entende como chegou até ali. Não demora a ponto de frustrar, e também não atropela a história tentando ser rápido demais. É bem dosado.
Ainda estou longe do ápice narrativo (ainda sou o personagem fraco da história, só enfrentei inimigo de bucha de canhão até agora), mas já dá pra sentir o peso do enredo: o jogo se passa na época da peste bubônica, então é um cenário sombrio de verdade, com elementos de nudez, sangue e violência extrema, no mesmo espírito adulto do próprio Witcher 3. Isso é jogo pra maior de idade, sem meio termo.
Sobre o vilão: é o Brencis, um vampiro romano milenar (nasceu literalmente no ano 131 depois de Cristo), ex-senador que foi transformado à força e desde então acumula poder em vez de ambição política. Visualmente ele lembra muito o Lorde Voldemort, careca, pálido, ameaçador sem precisar gritar.

E o jogo não aposta só nele: existe uma corte de vampiros ao redor do Brencis, cada um com visual e estilo de combate bem diferente entre si, um com jeito de galã agressivo, outro mais corpulento com foco em porrada de mão limpa, e um outro que parece ser tipo um bruxo de sangue, explodindo inimigo em pedaço com magia em vez de dente e garra.
Eu só vi eles em cutscene até agora, mas a variedade visual já deixa claro que a luta contra cada um vai ser bem diferente.
Impressão até aqui
Não dá pra fechar veredito com seis horas de jogo, isso seria desonesto da minha parte. Mas o que já vi me convenceu de continuar jogando com vontade: o sistema de tempo é inteligente, o combate de vampiro é satisfatório, e a narrativa promete crescer bastante quando eu finalmente encarar os vilões de verdade.
Se você curte RPG com pegada mais adulta e sombria e não se importa de esperar a história ganhar corpo aos poucos, Blood of Dawnwalker já vale a atenção nessa fase inicial. Volto com mais impressões (ou quem sabe uma review de verdade, com nota) conforme for avançando.
Já conferiu as outras matérias do site? Dá uma olhada na modlist do Skyrim que eu destrinchei recentemente!

