The Witcher 3: Wild Hunt Remastered saiu ontem (29 de setembro), atualização gratuita pra quem já tinha o jogo, e de quebra ainda te entrega Hearts of Stone e Blood and Wine de graça se você só tinha o jogo base. Já joguei algumas horas, ainda tô grudado em Pomar Branco porque sou o tipo de otário que insiste em limpar o mapa inteiro antes de seguir pra história (baú, ponto de sinal, absolutamente tudo), mas já dá pra falar com propriedade sobre o que mudou de verdade, e não é pouca coisa.
Desempenho: minha 3060 aguenta, mas não é irrestrito
Com tudo no Ultra, sem Ray Tracing e sem HairWorks, o jogo roda a 60 FPS em 90% do tempo, caindo pra uns 40 em cidade grande ou área mais carregada. Pra um jogo de ação, isso é excelente, é suave pra caralho, e o LOD tá tão bem trabalhado que você enxerga vegetação lá longe sem aquele efeito de "pop-in" feio que a gente tava acostumado a engolir.
Agora liga o Ray Tracing pra ver sea placa não peida. Mesmo nas configurações mais básicas (nem pensar em path tracing completo com essa placa, isso é papo pra RTX 5070 pra cima), o FPS despenca pra faixa de 28-30. E olha, eu sei que a imagem fica ainda mais bonita, mas pra mim não compensa porra nenhuma: você sente MUITO a diferença de 60 caindo pra 30 num jogo de combate corpo a corpo. Se você tem placa mais forte, aproveita à vontade, pra mim ficou desativado e satisfeito.
E o vilão real da história técnica é o HairWorks da NVIDIA. Não é bem sobre derrubar FPS na exploração normal (dá pra aguentar), o problema mesmo é nas cutscenes, que ficam visivelmente travadas com ele ligado. Faz sentido quando você lembra que cutscene nesse jogo não é vídeo pré-gravado, é captura em cima dos próprios NPCs rodando em tempo real, então todo aquele peso de cabelo físico bate direto na cena. Deixei desligado e só ligo pontualmente quando quero admirar algum bicho específico (tipo o Grifo) fora de cutscene, só pra print bonito mesmo.

Árvore de habilidade: 4 árvores e uma homenagem às escolas de bruxo
A árvore de habilidade foi reformulada do zero, e agora são quatro: Combate, Sinais, Alquimia, e uma extra ligada ao tipo de armadura que você veste (leve, média, pesada). O detalhe que ninguém te conta, e que eu só saquei de ficar olhando o ícone com atenção de quem não tem mais o que fazer da vida: essa árvore de armadura tá secretamente organizada por escola de bruxo, sem escrever isso em lugar nenhum da descrição.
A escola do Lobo (armadura média) dá bônus pra todas as armas, incluindo besta, e tambem aos sinais, além de um empurrão na vitalidade. A escola da Mantícora (também média, mas com ícone diferente) traz o mesmo bônus de vitalidade e foca só em espada e bomba, mantendo aquela identidade que a armadura Mantícora sempre carregou no jogo desde sempre. A do Gato puxa pra armadura leve, Urso é pesada e por aí vai, com seus respectivos bônus específicos. E não, você não precisa literalmente estar vestindo a armadura daquela escola pra investir na skill correspondente, é só representação simbólica, mas é o tipo de camada escondida que separa um bom redesign de um redesign preguiçoso.
Sobre dificuldade: to jogando sem mod pela primeira vez em mais de dez anos (sempre usei mod de sobrevivência e dificuldade aumentada), então é bem possível que eu esteja achando mais fácil só por isso, não necessariamente porque o jogo em si ficou mais mole. Ainda vou formar opinião definitiva conforme avanço, não vou cravar nada agora.

O Geralt finalmente parou de parecer Ken da Barbie
Agora deixa eu confessar uma implicância pessoal que carrego há anos: eu venho dos livros do Sapkowski, li antes mesmo de encostar no terceiro jogo, e sempre achei o Geralt do Witcher 3 um Ken da Barbie disfarçado de mutante. Nos livros, esse cara é descrito como presença assustadora de verdade: rosto cheio de cicatriz, pele pálida (por causa das ervas e mutações, não é estética gótica gratuita), olhos amarelos igual gato de verdade, carrancudo, um sujeito que mal sabe sorrir direito. Tem até uma passagem clássica dizendo que o sorriso dele parece "uma ferida aberta". É isso, gente, ferida aberta, não convite de revista de moda. O primeiro jogo captou essa essência bem, o segundo quase, e o terceiro virou galã de capa de romance água-com-açúcar.
Por isso, mesmo jogando sem mod de gameplay dessa vez (quis manter tudo traduzido e coeso, sem misturar português com inglês no meio do diálogo), abri exceção pra três mods puramente estéticos: um que melhora o rosto e as cicatrizes (Brutal Face), o Eyes of Witcher (finalmente um olho felino de verdade, amarelo forte, não aquela lentezinha de contato estilosa que o jogo original entrega), e um que deixa a pele mais pálida, do jeito que o livro sempre insistiu que fosse. Agora sim, virou o Geralt que eu sempre quis encarar na tela.


Print das minhas configurações






Veredito: baixa agora, não fica esperando patch imaginário
Minha recomendação é seca: baixa e joga agora, não tem motivo real pra ficar esperando. Sim, ainda sobrou bug bobo, tipo o Geralt simplesmente não conseguir escalar um lugar óbvio na cara dele por falta da marcação de escalada (aquela poeirinha branca na beirada), te obrigando a contornar morro inteiro feito idiota quando dava pra simplesmente subir. Mas isso é detalhe cosmético perto de tanta melhoria de verdade, principalmente gráfica. Se você tem placa de vídeo da faixa da minha (RTX 3060) pra cima, já joga liso com quase tudo no Ultra.
Um desabafo sobre preço e qualidade, porque precisa ser dito
A nova expansão, Songs of the Past, chega em 2027. Pelo histórico da CD Projekt Red com Hearts of Stone e principalmente Blood and Wine (que é praticamente um spin-off separado de tanto conteúdo que entrega), é provável que o preço seja minimamente justo, termo raro no vocabulário da indústria de jogos hoje em dia.
E isso me obriga a abrir um parêntese maior, porque precisa ser dito com todas as letras: o preço de jogo no Brasil virou um assalto travestido de lançamento. A Steam fechou o cerco em cima de quem tinha conta localizada em outro país pra fugir do preço abusivo (adeus, minha conta na Turquia, na Argentina, e olha que eu já rodei um bocado de país atrás de preço justo), hoje cobram em dólar igualzinho em qualquer lugar. A festa acabou. E o resultado natural disso, gente, é o brasileiro voltando a baixar torrent igual fazia há quinze anos. Não é porque amamos pirataria, não é porque queremos ver a indústria quebrar, é porque pagar R$300 em lançamento de jogo de PC (que ironicamente era a plataforma com custo benefício superior aos consoles) virou matematicamente insustentável pra maioria de nós.
Empresa que mantém preço minimamente justo e ainda entrega conteúdo de qualidade alinhadoa o que cobra, do jeito que a CD Projekt fez aqui, deveria ser regra do mercado, não exceção rara que a gente comemora feito milagre. Espero sinceramente que sirva de exemplo pra outras, porque do jeito que a coisa tá andando, o mercado brasileiro de jogo tá caminhando pro buraco, e ninguém lá em cima parece se importar com isso.

